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Dia da Consciência Negra: luta e reparação


Em 1695 morria Zumbi dos Palmares, líder quilombola que virou símbolo da luta do povo preto contra a escravidão, assassinado durante uma batalha contra as forças escravagistas da Coroa Portuguesa, Zumbi foi violentamente exposto após sua morte como um exemplo a quem se opusesse ao sistema vigente

Mas a luta de Zumbi permaneceu viva e deu ainda mais força ao movimento contra a escravidão. O Brasil ia de encontro ao que acontecia nas Américas e mantinha a legalidade retrógrada da escravatura.

Entre as muitas lutas travadas nos quilombos e senzalas durante anos, em 1888 foi assinada a Lei Áurea, que abolia a escravidão, ainda que tardiamente, no Brasil.

Infelizmente a abolição não trouxe a libertação esperada, a assinatura da Lei não garantiu dignidade, justiça e muito menos a reparação aos escravizados. A tal Lei os alforriava mas não dava emprego, moradia, saúde e os marginalizava em cortiços e favelas.

Uma das maiores provas da negligência histórica do Estado são os dados do Infopen, o sistema de informações estatísticas do sistema penitenciário brasileiro desenvolvido pelo Ministério da Justiça, que aponta o Brasil como a quarta maior população carcerária do mundo. Dessa população 61,7% são pretos ou pardos.

Outro dado que denuncia esse descaso é o de analfabetismo: entre pessoas pretas ou pardas com 15 anos ou mais, 7,4% são analfabetas em 2022, mais que o dobro da taxa encontrada entre as pessoas brancas (3,4%).

Diante disso, muito ainda precisa ser feito, as mazelas não desapareceram e não irão sem políticas públicas efetivas. O Dia Nacional da Consciência Negra não é apenas uma data a ser celebrada com a exaltação de heranças de culturas que por muitos anos foram criminalizadas e estigmatizadas, mas é de luta e reflexão sobre os próximos passos da reparação necessária a todos aqueles que ainda sofrem as consequências dos atos vergonhosos de séculos atrás.

O Sintraf/AP defende e luta pela reparação histórica necessária a todos que foram indevidamente retirados de seus lares e postos em escravidão e reitera o compromisso de permanecer uma entidade antirracista, pois essa é a postura que precisamos no Brasil atual.

É de suma importância estudar, pesquisar e conhecer melhor a cultura negra que é rica em suas mais diversas formas, seja nas religiões de matrizes africanas, seja na música, na dança, na literatura e todas suas ramificações.


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