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Bancário do Amapá participa do Seminário Nacional do BASA



O Seminário Nacional do Banco da Amazônia realizado de forma virtual no último sábado, 1º de julho, reuniu os empregados e empregadas do Banco da Amazônia (Basa) em todo país para debater a conjuntura do sistema financeiro nacional, o papel do Banco no desenvolvimento regional, e os desafios e lutas da categoria bancária por emprego, condições de trabalho e pelo fortalecimento do caráter público da principal instituição de fomento na Amazônia.


O Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado do Amapá (Sintraf-AP) foi representado pelo bancário Anderson Steiller Rodrigues, da Agência 0032 – Macapá, que participou como delegado. O evento foi uma realização do Sindicato dos Bancários do Pará em conjunto com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte (Fetec-CUTCN/).


Para mais informações, confira abaixo texto elaborado pelo Sindicato dos Bancários do Pará.


Na abertura do Seminário, o secretário geral da Contraf-CUT, Gustavo Tabatinga, destacou a importância da atividade para acumular forças para as lutas em defesa do emprego e para barrar as demissões do Quadro de Apoio.


O presidente da AEBA, Gilson Lima, que participou de toda a programação mesmo em recuperação dos sintomas da Covid-19, ressaltou a importância da manutenção da unidade de ação das entidades pelo fortalecimento da instituição e em defesa do emprego, como no combate à MP 1052, que pretendia retirar do Basa a exclusividade de gestão do Fundo Constitucional do Norte – FNO, e na defesa do Quadro de Apoio.


A vice-presidenta do SEEB-PA, Vera Paoloni, representou a CUT Pará na saudação das entidades aos participantes e declarou todo apoio da Central Sindical na luta para barrar o “monstro das demissões” no Basa e destacou a unidade do Sindicato e da AEBA na ação judicial que conquistou a liminar favorável à permanência do Quadro de Apoio.


O presidente da Fetec-CUT/CN, Cleiton Silva, disse que as entidades articulam forças no Congresso Nacional, através dos mandatos da deputada Erica Kokay (PT/DF) e do deputado Airton Faleiro (PT/PA), para defender o Quadro de Apoio e o emprego público no Basa, e falou da importância de o Seminário apontar caminhos de investimentos do Banco em projetos que protejam o meio ambiente.


Basa lucra mais com menos postos de trabalho e mais investimentos em agronegócio


O segundo momento do Seminário foi dedicado à análise da conjuntura do sistema financeiro e do papel do Banco da Amazônia no desenvolvimento regional. O economista do Dieese/Contraf-CUT, Gustavo Cavarzan, analisou a “Conjuntura recente do sistema financeiro no Brasil e os resultados do Basa no 1º trimestre de 2023”.


Em sua apresentação ele observou o cenário econômico em três momentos: primeiro, no início da pandemia entre março e dezembro de 2020, com redução imediata do crédito livre para pessoa física, sustentação do crescimento do crédito através do crédito direcionado à pessoa jurídica por meio dos bancos públicos; segundo, com a reabertura da economia entre janeiro de 2021 e junho de 2022, onde houve esgotamento do crescimento de crédito direcionado à pessoa jurídica e forte crescimento do crédito livre para pessoa física; e no terceiro momento, a elevação da taxa Selic entre junho do ano passado e nos dias atuais, onde observa uma brusca redução no ritmo de crescimento do crédito livre, tanto para famílias como para empresas, estabilidade no ritmo de crédito direcionado à pessoa física e leve recuperação para pessoa jurídica, e forte redução do ritmo nos bancos privados e estabilidade nos bancos públicos.


Diante desse contexto, Gustavo Cavarzan mostrou que o Banco da Amazônia, no primeiro trimestre de 2023, apresentou crescimento de 32% em seu lucro líquido, o que corresponde a um saldo de R$ 286,7 milhões, e suas principais receitas foram em operações de crédito, Títulos e Valores Mobiliários – TVM e as vinculadas ao FNO, sendo que esta última representou uma taxa de crescimento de 14%.


Além disso, o economista também observou o lucro do Basa relacionado à redução do seu quadro pessoal, e apresentou dados de 2015 a 2023 que mostram uma redução de 10% no número de empregados do banco nesse período, o que corresponde a 331 postos de trabalho a menos na instituição.


Outra contribuição no debate conjuntural foi do professor e coordenador do programa de pós-graduação em economia da UFPA e pesquisador do NAEA/UFPA, Dr. Danilo Fernandes, que falou sobre desenvolvimento regional e o papel social do Banco da Amazônia.


Ele fez uma síntese sobre a política desenvolvimentista na Amazônia no século XX, que inicialmente priorizou o extrativismo agrícola e mineral e o avanço da industrialização através de grandes projetos de desenvolvimento construídos de fora para dentro da região, e agora na virada para o século XXI o modelo de desenvolvimento da Amazônia tenta ser pautado pela perspectiva do desenvolvimento sustentável e da bioeconomia.


O professor também demonstrou através de mapas as transformações nos investimentos do Banco da Amazônia em projetos para a região entre 1996 e 2017, onde observou uma estagnação de investimentos em agricultura camponesa especializada ou agroextrativista e um avanço nos investimentos empresariais de pecuária bovina, de grandes plantações de culturas homogêneas e de produção de grãos, principalmente na região centro-norte e no extremo norte. Nos mapas apresentados, ficou evidente a relação entre desmatamento e as atividades da pecuária e da monocultura.


Organizar a unidade de ação por emprego e pela sustentabilidade na Amazônia


Diante desses cenários observados, a fase final do Seminário do Banco da Amazônia foi dedicada ao planejamento de estratégias de ação na luta por emprego, melhores condições de trabalho, fortalecimento do caráter público do Basa e por um desenvolvimento economicamente sustentável e socialmente inclusivo na região.


O deputado federal Airton Faleiro (PT/PA) participou desse momento e ratificou seu empenho em combater as demissões no Basa e defender o emprego do Quadro de Apoio. Ele parabenizou a mobilização deste segmento junto com as entidades representativas durante a visita do presidente Lula em Belém no dia 17/06, assim como a carta entregue ao presidente contextualizando a situação. “Lula recebeu a carta do Quadro de Apoio e garantiu que vai resolver esse problema no Basa”, destacou o deputado.


Os dirigentes do Sindicato e empregados do Banco da Amazônia, Sérgio Trindade, Cristiano Moreno e Ronaldo Fernandes abordaram temáticas que deverão ser debatidas nas mesas permanentes de negociação com o Banco, como o papel institucional da empresa, PLR e PCCS, Plano de Saúde e Condições de Trabalho.


“A defesa do emprego e de melhores condições de trabalho e remuneração devem ser nossa prioridade nas mesas permanentes de negociações com o Banco no próximo período, tendo em vista que temos problemas históricos a serem resolvidos, como o reembolso do plano de saúde, nossa previdência complementar, as regras da PLR e a atualização do PCCS defasado desde 1994. Vamos atuar pela unidade da categoria dentro do Basa em busca de avanços tão necessários a todos os bancários e bancárias do Banco da Amazônia”, afirma o diretor do Sindicato, Cristiano Moreno.

“É inadmissível que uma boa parte dos empregados do Basa não tenha plano de saúde nenhum, precisamos de um programa de saúde que mude isso”, critica o dirigente sindical, Ronaldo Fernandes.

O Seminário acumulou uma série de propostas dos participantes no sentido de organizar a atuação das entidades sindicais no Basa, dentre elas destaque para organização de uma atividade temática sobre o papel do Banco da Amazônia no desenvolvimento regional durante a Cúpula dos Países da Amazônia, no mês de agosto deste ano em Belém, que será umas das principais atividades preparatórias para a COP-30 em 2025, na capital paraense.


“Belém está na pauta mundial do meio ambiente com a confirmação da COP-30 que será realizada aqui em 2025 e da Cúpula dos Países da Amazônia agora em agosto. Esse momento será um marco histórico de formulações sobre o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável da Amazônia e do planeta Terra. Portanto, como o meio ambiente não está separado das questões sociais e econômicas, cabe a nós pautar o papel do Banco da Amazônia nesse cenário, assim como a defesa do emprego público e a valorização da categoria bancária na instituição. Vamos aproveitar esses momentos para dar visibilidade às nossas lutas”, ressaltou o secretário geral do Sindicato e coordenador da Comissão de Empregados do Basa, Sérgio Trindade.

Ao final, a presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, parabenizou a participação de todos e todas na atividade realizada de forma virtual em um sábado a tarde de julho, assim como os debates realizados, as propostas apresentadas e convidou os presentes para a Conferência Estadual, que ocorrerá nos dias 7 e 8 de julho, de forma presencial, na sede da entidade sindical em Belém.


“Não teremos negociação de acordo coletivo nesse segundo semestre, mas temos muitas pautas importantes da categoria a serem debatidas com o Banco da Amazônia, em mesas permanentes. Avaliamos que este Seminário apresentou importantes reflexões, com bastante fundamentos para nos ajudar a refletir sobre a importância regional da instituição e sobre nossas prioridades de lutas. Temos certeza que saímos mais fortalecidos após esse encontro”, concluiu Tatiana Oliveira.

Fonte: Bancários PA com edição do Sintraf-AP


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