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Se não forem barradas, reformas do governo golpista acabarão com a categoria bancária


Por isso, é preciso combatê-las, tirar o governo ilegítimo e exigir diretas já. Decisão foi tomada pela direção executiva da Fetec-CUT/CN em reunião realizada em Brasília

Se a reforma trabalhista for aprovada, vai anular a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários e, combinada com a aprovação da terceirização nas atividades-fim, acabará com a própria categoria. E a reforma da previdência praticamente extinguirá a aposentadoria da maioria da classe trabalhadora. Por isso é necessário ampliar esse debate com os bancários e envolvê-los nas mobilizações que as centrais sindicais e os movimentos sociais estão intensificando em todo o país parar barrar as reformas no Congresso Nacional, exigir o afastamento do presidente ilegítimo Michel Temer e exigir eleições já.

Essa foi uma das deliberações da reunião que a Diretoria Executiva da Federação dos Bancários do Centro Norte (Fetec-CUT/CN) realizou na terça-feira 23 em Brasília para discutir a grave conjuntura política e econômica enfrentada pela classe trabalhadora e encaminhar as lutas do próximo período.

A direção da Fetec-CUT/CN fez a reunião em Brasília para poder participar nesta quarta-feira 24 da marcha que a CUT e demais centrais sindicais, junto com a Frente Brasil Popular e Frente Povo sem Medo, estão organizando para pressionar os parlamentares e exigir Fora Temer e eleições diretas.

“A Fetec-CUT/CN tem um papel imprescindível de intensificar esse debate e convencer a categoria bancária a compreender que corre risco de extinção. A Federação não poupará esforços para travar essa batalha, que não é apenas com os bancários, mas envolver todos os trabalhadores da região Centro Norte na resistência aos ataques a seus direitos”, afirma Cleiton dos Santos, presidente da Fetec.

“A categoria bancária está no centro dos ataques, mas as outras categorias de trabalhadores também serão duramente atingidas. Nossa preocupação com a reforma trabalhista não se restringe a uma questão financeira, mas sobretudo à extinção dos direitos que conquistamos duramente em décadas de luta”, acrescenta Cleiton.

‘Precisamos aprofundar diálogo com os bancários e com a sociedade’

A reunião da direção executiva da Fetec-CUT/CN foi abertura com um debate sobre a grave conjuntura que o país atravessa após o golpe de 2016, que contou com a participação da deputada federal Erika Kokay (PT-DF), ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, e do diretor de Formação da Federação, Jacy Afonso de Melo.

“O impacto das reformas do golpista Temer nos bancários é muito grave. Primeiro, veio a terceirização. Agora, tentam acabar com a Convenção Coletiva, porque a reforma trabalhista permite que acordos por banco vão se sobrepor à CCT. Vai fragmentar a representação sindical. A incorporação de função acaba. A função ficará na mão do empregador, que vai negociar com cada comissionado individualmente”, alerta Erika. “A jornada de 30 horas não será mais integral, mas fragmentada. Com o trabalho intermitente, os bancos vão contratar terceirizados pra trabalhar quando a empresa precisar.”

Para Jacy Afonso, muitos bancários, a exemplo do que ocorre com a classe média, não acreditam que serão atingidos com as reformas do governo ilegítimo de Temer.

“É nosso desafio fazer essa discussão com a categoria, Precisamos produzir material para mostrar os efeitos das reformas trabalhista e da previdência na categoria bancária. Enquanto Federação, precisamos ter mais diálogo e inserção com os movimentos sociais e com as forças progressistas para ampliar a discussão com a sociedade, e mostrar que o objetivo do governo Temer é destruir a nação brasileira, e por isso nossa luta tem que incluir, além do fim das reformas, o Fora Temer e a convocação de eleições já”, argumenta Jacy Afonso.

Em defesa dos bancos públicos

A direção executiva da Fetec-CUT/CN também discutiu a necessidade de reforçar a campanha em defesa dos bancos públicos, tanto os federais como os estaduais, e envolver a sociedade no debate, mostrando a importância do papel social das instituições financeiras públicas no desenvolvimento econômico e social da região Centro Norte e do país.

A mesa sobre o tema foi coordenada pelo secretário de Bancos Públicos da Federação, André Nepomuceno (do BRB) e teve a participação do diretor da Fetec-CUT/CN Enilson Silva (da Caixa) e do representante da entidade na Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, Rafael Zanon, que fizeram um histórico das negociações e dos processos de reestruturação principalmente do BB e da Caixa.

“Vivemos uma conjuntura difícil, com possibilidade de privatização desses bancos. Cresce no Banco do Brasil a resistência contra as reformas. Precisamos aprofundar esse debate e mostrar que a campanha contra a privatização deve estar atrelada ao Fora Temer”, defende Zanon.

André Nepomuceno acredita que para ampliar essa discussão tanto com os bancários quanto com a sociedade é preciso que o movimento sindical se qualifique, “elaborando projetos sobre o futuro dos bancos públicos nacionais e estaduais e fazendo uma articulação no Congresso Nacional, a partir da Câmara, visando agregar as bancadas dos estados da região Centro Norte”.

Para Enilson Silva, o governo golpista de Temer está destruindo em sequência os setores de ponta da economia brasileira. “Primeiro enfraqueceram o setor de petróleo e gás, com os ataques à Petrobras e ao pré-sal, depois destruíram a indústria naval e agora estão bombardeando o setor de construção civil e da alimentação. É dentro dessa lógica que podemos ver o que pode acontecer com os bancos públicos, como tentaram fazer na década de 1990”, alerta Enilson.

Dos nove bancos públicos federais e estaduais que restaram, cinco possuem sede na base territorial da Fetec-CUT/CN: BB, Caixa, Banco da Amazônia, BRB e Banpará.

“Portanto, recai sobre a Federação a responsabilidade de atuar de forma incisiva na defesa dos bancos públicos e de seu papel imprescindível para a sociedade, seja no financiamento da produção, da habitação, da agricultura e do financiamento educacional”, conclui Cleiton dos Santos.

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