Conferência Nacional aprova plano de lutas em defesa do emprego e dos direitos dos bancários

Fetec-CUT/CN participou com 67 delegados e delegadas do encontro de três dias, que definiu plano de lutas em defesa dos bancos públicos e do movimento sindical

A plenária final da 19ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada neste domingo 30 em São Paulo, aprovou a estratégia e a Campanha Nacional em Defesa do Emprego e dos Direitos, que prioriza a negociação nas mesas temáticas com a Fenaban (saúde no trabalho, assédio moral, igualdade de oportunidades e segurança bancária) e estabelece planos de lutas em defesa do emprego, dos bancos públicos, dos direitos conquistados pela categoria e da democracia.

Os 603 delegados presentes (64,5% homens e 35,5% mulheres), dos quais 67 da base da Federação Centro Norte (Fetec-CUT/CN) também definiram que o Comando Nacional dos Bancários apresentará um termo de compromisso à Fenaban para que nenhum banco adote unilateralmente qualquer medida da reforma trabalhista do governo Temer que retira direito dos trabalhadores e praticamente acaba com a CLT.

O reajuste salarial da categoria em setembro será de 1% acima da inflação, como prevê o acordo de dois anos assinado após a campanha do ano passado.

“A Conferencia Nacional é o marco para categoria bancária, pois define a estratégia de enfrentamento neste momento de ataque aos direitos da classe trabalhadora no Brasil, e com a unidade nacional nós bancários dizemos para os patrões como queremos negociar a manutenção dos direitos conquistados ao longo das décadas de organização e luta da categoria. Além disso, queremos avanços de direitos para aqueles que realizam os resultados dos bancos mesmo neste momento de crise no país”, afirma Cleiton dos Santos, presidente da Fetec-CUT/CN.

Nenhum direito a menos

Os bancários conquistaram com a greve de 2011 a constituição das quatro mesas bipartites, que vêm se reunindo desde então, mas com poucos avanços. A 19ª Conferência definiu como estratégia priorizar e acelerar as negociações, alternadamente, nessas quatro mesas temáticas em agosto e setembro.

Os delegados e delegadas da Conferência também definiram que a defesa do emprego e dos direitos conquistados pela categoria serão as prioridades da campanha deste ano. E delegaram ao Comando Nacional a entrega de um documento político à Fenaban para reivindicar que os bancos respeitem a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria, o que implica em os bancos se absterem de implementar as medidas das reformas trabalhistas que se chocam com a CCT, como a terceirização sem limites, a prevalência do negociado sobre o legislado, o contrato de trabalho individual, almoço de 30 minutos, jornada de 12hX36h, parcelamento de férias em três períodos, negociação individual para quem ganha acima de R$ 11 mil, contrato intermitente de trabalho etc..

A 19ª Conferência também definiu plano de lutas em defesa dos direitos da classe trabalhadora e da democracia, seriamente ameaçados pelas contrarreformas de Temer, e a participação dos bancários nas mobilizações e calendário de lutas das centrais sindicais, da Frente Brasil Popular e da Frente Povo sem Medo. Entre as medidas para reverter as políticas de Temer, está a proposta de um referendo nacional para que a população brasileira decisda sobre as contrarreformas.

Aprovou ainda um plano de Luta em defesa dos bancos públicos, o que implica na construção de fóruns, eventos e a articulações políticas no sentido de dar visibilidade e ampliar essa luta e fortalecer as atividades da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos.

Por fim, os 603 delegados que participaram da Conferência outro plano de lutas em defesa do movimento sindical, seriamente ameaçado pela contrarreforma trabalhista do governo Temer, e anteciparam o calendário de preparação da campanha nacional de 2018.

Avaliação dos sindicatos da Fetec-CUT/CN

Eduardo Araújo, presidente do Sindicato de Brasília: “Aprovamos um plano de lutas e a estratégia da campanha deste ano para defender o emprego e nossos direitos ameaçados, mas isso de nada adiantará se não houver engajamento e mobilização da categoria para pressionar os bancos”.

Gilmar dos Santos, presidente do Sindicato do Pará: “Estamos inaugurando uma nova página no movimento sindical brasileiro. A partir de agora, com a assinatura do acordo de dois anos celebrado no ano passado, nos possibilita concentrar nossas energias na organização da classe trabalhadora para fazermos o enfrentamento aos ataques que estamos sofrendo nessa conjuntura desfavorável. Sem dúvida nenhuma, essa será uma experiência que trará amadurecimento não apenas das lideranças como de toda a categoria bancária, tendo em vista que estamos hoje mais focados na defesa dos direitos da classe trabalhadora como um todo”.

Edvaldo Franco Barros, presidente do Sindicato de Campo Grande: “Foram três dias de muito debate para entender o momento político e econômico que o país passa, e infelizmente o governo ilegítimo vem atacando os trabalhadores com a retirada de direitos e privilegiando o ganho do capital especulativo. Os bancários têm contra si, além das reformas, as reestruturações que estão sendo implementadas pelos bancos. Finalizando, a conferência aprovou encaminhamentos para organizar o movimento com ações para resistir a aos ataques no próximo período e por nenhum direito a menos!”

João Dourado, diretor do Sindicato dos Bancários e presidente da CUT Mato Grosso: “A Conferência foi importante tanto no campo da formação, uma vez que fez o debate sobre a agenda que está posta das reformas trabalhista e da previdência pública, quanto na preparação de novas ações, já que apontou para a definição de estratégia focando na resistência do emprego, e já prepara para o ano que vem conquistarmos avanços econômicos”.

Edson Gomes, presidente do Sindicato do Amapá: “A Conferência Nacional foi para nós trabalhadores bancários um grande momento de discussão sobre o momento atual de nossa conjuntura. Os painéis sobre a defesa dos bancos públicos e a defesa do emprego frente às novas tecnologias e as exposições sobre a reforma previdenciária e a reforma trabalhista vieram nos mostrar a dura realidade que os trabalhadores bancários terão que enfrentar. Nos mostrou também que muito temos que fazer para nos contrapor a todas essas atrocidades que estão cometendo contra nós. Por isso, saímos daqui motivados para continuar nas trincheiras de luta em favor dos trabalhadores do Brasil”.

Ronaldo Ferreira Ramos, presidente do Sindicato de Dourados (MS): “A Conferência foi muito interessante, com um formato diferente dos anos anteriores, já que este ano não tem campanha por reajuste salarial. Foi mais de informação e esclarecimento sobre as reformas trabalhista e da previdência, o que está em debate hoje na conjuntura do país, e isso é bom para nós dirigentes sindicais porque vamos levar esse debate para as nossas bases. Mas também pautamos nossas lutas para as questões de saúde, de assédio moral, de emprego. Também foi muito importante nessa conferência a paridade de gênero, o que favorece ao crescimento de nossas lutas”.

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